Juvenil e Popular
De enredo simples e curta duração (cerca de 50 minutos), Bastien e Bastienne é considerado um dos notáveis exemplos do género singspiel (diálogo falado entre a música) em que se insere. Numa nova versão em português* que visa devolver eficazmente a jovialidade simples de diálogos e canções, este espectáculo da Ópera de Coimbra apresenta-se com uma equipa alargada de actores/cantores e músicos e conta com o apoio cúmplice de artistas plásticos e de gente ligada à cultura e às artes de palco.
Peça composta em 1768, quando Mozart tinha apenas doze anos, o seu libreto é o resultado de sucessivas reelaborações de uma opereta de Rosseau, Le Devin du Village, apresentada com grande sucesso em Paris, em 1752. O enredo trata das desventuras de uma moça do campo, Bastienne, em risco de perder Bastien, o seu amado, enredado por outras seduções. Desesperada e almejando reconquistar o seu grande amor, ela recorre à ajuda de Colas, o feiticeiro. A trama desenvolve-se em torno dos conselhos dados aos enamorados pelo feiticeiro e do choque entre os dois, até à reconciliação final.
Bastien e Bastienne é uma obra de grande simplicidade, marcada por uma unidade melódica que se estabelece de maneira natural. O seu despojamento e concisão estão associados a uma grande fluência e dinamismo. Ao mesmo tempo já é possível, como no Mozart adulto, identificar a caracterização de cada personagem, através dos recursos musicais.
Nesta primeira versão site-specific de encenação, procuramos contrapor à austeridade do convento o colorido de figurinos, jogos, movimentos, submergindo a festa teatral na comunidade dos espectadores, numa glosa aos espectáculos de jardim e de palácio que encheram o período barroco; procuramos associar o rigor musical à busca da teatralidade irónica dos recitativos. Aproveitando o simbolismo das personagens e o universalismo da temática, acrescentámos a uma peça de três personagens a celebração de 30 figurantes cantores, numa alusão à sempiterna guerra dos sexos, procurando adaptar e imprimir uma desenvoltura teatral complementar à genialidade de Mozart na sua faceta mais juvenil.
